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Fazer faculdade vale a pena?

Ia escrever mais sobre minhas viagens de ônibus por São Paulo. Mas preciso parar pra reclamar de outra coisa! Até porque só minha namorada e minha tia vêem esse blog, bem de vez em quando, mesmo!

Fazer faculdade vale mesmo a pena?

Bom, claro! Medicina, engenharia e algumas outras ciências por aí devem mesmo ser necessárias e muito bem supervisionadas pelos órgãos competentes. Por falta dessa supervisão, provavelmente, que tem médicos que esquecem o bisturi dentro da barriga dos outros e que existem aeroportos com as pistas mais curtas do que deveriam ter.

Mas, pra quê raios o sujeito me faz faculdade de Publicidade e Propaganda???

Sim, senhoras e senhores, eu lhes digo, com conhecimento de causa – se você quer ser um publicitário, a fórmula é simples:

  • Seja um pouco nerd;
  • Instale o pacote Adobe CS3 no seu computador e aprenda sozinho com tutoriais na Internet;
  • Leia jornais (aproveite enquanto eles ainda existem), revistas, sites e blogs;
  • Aprenda alguma coisa de design (não muito, pois você é publicitário, não designer! Ou você acabará fazendo um logo como o de São Paulo pra Copa);
  • Tenha a cabeça aberta para novos formatos de mídia;
  • Leia uns dois ou três livros sobre Marketing – mais do que isso é bobagem. São todos iguais, mesmo;
  • Pare de idolatrar os famosos da publicidade! (Há quanto tempo eles não lançam uma campanha boa de verdade?)

Pronto!

É simples assim!

As faculdades de hoje em dia – tenho amigos estudando Publicidade em diversas faculdades, da Cásper à Unip e por isso posso afirmar – não estão preparadas para a mídia de hoje. Aliás, nem se sabe direito, ainda, se a mídia de hoje vai existir amanhã.

Diariamente surgem novos formatos – do merchandising debochado do Koleston no Toma Lá Dá Cá de hoje ao perfil patrocinado do @marcelotas, que não deu certo. E isso, garanto-lhes, não se ensina na faculdade.

A idéia de tevê digital ainda não pegou nem na gringa direito, quanto mais aqui, onde as coisas chegam 10 anos depois e com correção monetária de todo período!

Formatos antigos, como o varejo agressivo das Casas Bahia e concorrentes está fadado ao fracasso. O consumidor está começando a aprender que ele é quem manda. Que ele pode reclamar. Que é o direito dele reclamar!

Empresas antigas, com tradição no mercado, mas que se mantém longe de seus consumidores vão perder preferência para empresas empresas novas, sem nenhuma tradição, mas que dão mais importância à satisfação do cliente antes, durante e depois da compra.

Durante quatro anos de faculdade, tive apenas UMA aula sobre atendimento das necessidades pós-compra do consumidor.

Um amigo meu que fez Mackenzie não se lembra de ter tido aula sobre isso.

Sabe o quê qualquer a maioria das faculdades de Publicidade e Propaganda ensinam, durante quase todo o curso?

Pesquisa de Mercado.

Se você entrar numa faculdade de Publicidade, hoje, você aprenderá (espera-se) o quê é quantitativo e o quê é qualitativo. O quê é uma entrevista em profundidade e o que é uma discussão em grupo. Como fazer um teste cego e como tabular respostas.

Também vai aprender o quê é Análise SWOT e o quê o filadaputa do Kotler acha de Marketing.

Com um pouquinho de sorte, vai aprender também a usar a varinha do Photoshop e a mudar o ISO de uma câmera fotográfica que não parece nem um pouco com a Cybershot que você utilizará pra postar fotos pseudo-artísticas no Flickr.

Só! Mái nada, jão!

Do meu humilde ponto de vista, é muito mais fácil, barato e rápido fazer meia dúzia de cursos e enfiar o nariz no mercado, que fazer quatro longos anos de uma faculdade que ainda vive na época em que ganhar dinheiro é mais importante que a satisfação do consumidor.

Publicidade é uma área extensa pra cacete – do redator ao fotógrafo, do cara do planejamento à tiazinha do café, do gordo da gráfica (porque todo cara que trabalha em gráfica é gordo?) à gostosa do atendimento. Isso sem contar o esquisito do mídia, o nojento do cara de criação e o bicho-grilo do estagiário, que vai ficar louco antes de terminar a faculdade, quando se der conta que não precisava dela pra fazer o quê ele quer fazer.

O problema é que mais da metade desse povo não cursou Publicidade e Propaganda!

O cara de Pesquisa de Mercado cursou Psicologia, Sociologia ou qualquer outra “logia” que existe por aí… O cara de Planejamento fez Administração e é pós-graduado em alguma coisa de Exatas… A esquisita de Web fez… bom, fez Web!!! Se bobear, nem o Diretor de Arte fez Publicidade e Propaganda – cursou Design de Não-Sei-O-Quê no Senac e foi pro mercado roubar a sua vaga, publicitário!

Desista da faculdade. Nem cela especial você vai ganhar, mais!

E de calça xadrez você vai ser uma dilíça na cadeia…

  1. 28/07/2009 às 3:32 | #1

    Olha só…
    “O consumidor está começando a aprender que ele é quem manda. Que ele pode reclamar. Que é o direito dele reclamar!” Que ótimo, isso dá trabalho pra nós, RP’s.

    “Durante quatro anos de faculdade, tive apenas UMA aula sobre atendimento das necessidades pós-compra do consumidor.” Claro, isso, de fato, é coisa pra nós, RP’s.

    Huá huá huá
    ;-)

    • Henrique Bronzoni
      28/07/2009 às 4:13 | #2

      Parafraseando Voltaire, não concordo com o comentário, mas defendo até a morte seu direito de o publicar!

      Os produtos, no Brasil, só são de qualidade inferior aos MESMOS produtos europeus e estadunidendes pq os publicitários brasileiros não entendem que, mesmo depois de vendido o produto, é necessário vender a qualidade da marca!

      Pq que crescemos ouvindo que produto importado é melhor? Pq é! (Ou, pelo menos, era!)

      Lá fora existe uma preocupação pós-compra dos publicitários. Eles sabem que, vendendo merda, vai dar merda!

      É importante, já no planejamento da campanha, pensar em uma assistência pós-compra.

      Mas, no Brasil, assistência pós-compra é telemarketing mal planejado… Argh!

  2. 28/07/2009 às 3:32 | #3

    Ah, esqueci de comentar… Sou o stag bicho grilo, huehehuehuehu ;-)

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