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No Busão (parte 1)

ou “Lata de Sardinha”

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Primeira coisa: não tenho preconceito com pobre. Tenho é pós-conceito, mesmo! Nada contra, o sujeito pode levar a vida que ele quiser que o pobrema é só dele. Mas ele é pobre porque quer e tem que se conformar com isso! Não quer mais ser pobre? Trabalha, meu filho!

Aí sempre tem um que vem e diz “A vida num é fácil pra todo mundo…” ou “Tem gente que não nasceu em berço de ouro…”. Putaquopariu, e quem disse que eu tô cagando dinheiro? Quem disse que a vida é fácil???

Se o sujeito já é um pouquinho mais que Classe C – o quê não é muito difícil – é porque ele trabalhou, ele herdou, ele roubou… mas, enfim, ele recebeu esse dinheiro de alguma forma – seja ficando anos estudando e trabalhando que nem um burro, seja sendo puxa-saco o suficiente pra não ser expulso do testamento de algum tio milionário ou seja batendo carteira na Paulista, o cara se esforçou pra tanto! E mesmo que não tenha feito nada pra isso, a questão não é quem tem algum dinheiro. E sim quem não tem.

Não tenho preconceito pelo sujeito ser pobre (eu também sou!). Só acredito que, hoje em dia, é pobre quem quer.

Explicado isso, posso começar minha história.

Durante duas semanas meu carro o Paquitão ficou na oficina, arrumando a merda que eu fiz bêbado um negocinho de nada no parachoques. Esse tempo todo eu tive que andar por São Paulo de busão, só pra provar que “a vida não tá fácil”. E durante esse tempo todo, comecei a reparar melhor na fauna que frequenta o mesmo itinerário que eu. Confesso, às vezes era engraçado. Às vezes, dava medo.

Bom, pra começar, minha primeira indignação: PUTAQUEOPARIU!!!! SE O FILADUMAVACA VÊ QUE O ÔNIBUS TÁ CHEIO, PORQUE NÃO ESPERA O PRÓXIMO??? Mas não! Parece que gosta de ficar apertado, cheirando um o sovaco do outro!

E o motorista num tá nem aí! Quer mais é que busão atole, de tanta gente.

Acho que eles pensam: “Ah, não! Esse tá muito vazio: a gente vai passar frio!”

Cacete, mesmo que eu esteja atrasado (quase nunca… hehe) eu não entro numa lata de sardinha nem que isso custe mais meia hora da minha vida! Numé frescura, não. É educação com quem já está no ônibus.

Outro dia termino o resto! Fiquei puto! Hahaha…

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