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Faculdade Pichada

10/09/2008 Henrique Bronzoni

Olá, senhoras e cenouras!

(essa eu aprendi com o Garfield)

Hoje eu ia falar sobre o blog, mas vai ter um acontecimento, hoje à noite, que eu não posso deixar de comentar. Terei uma aula sobre pichação!

Sim, isso mesmo que vocês leram – meus professores universitários irão arregaçar as mangas de suas camisas da M.Officer e levantar as barras de suas calças da Diesel e irão colorir com arte urbana as paredes da “inovadora” Anhembi Morumbi!

Mas não será assim tão rápido que as coisas funcionarão.

Primeiro, eles irão falar um pouco sobre pichação e grafite. Irão nos dizer a importância política que a pichação teve, desde a II Guerra Mundial até a derrubada do Muro de Berlin. Vão nos explicar que frases de protestos, em muros, serviam como propaganda dos opositores ao Governo, que chamavam a população a “acordar” e perceber o que estava havendo.

Aí mostrarão fotos que provam a existência de pichações de muito antes dos avós dos nossos avós nascerem (antes mesmo da Dercy – que Deus a tenha! – ter nascido) e nos ensinarão que a pichação possui uma herança cultural enorme. Herança que muitos chatos críticos de arte ignoram.

Mostrarão que, assim como um cabelo moicano ou um ‘blog miguxo’, os desenhos e caligrafias de uma pichação representam o círculo social que aquele indivíduo está e o quê que o dito cujo pensa da vida. Que são muito mais que rabiscos, mas manifestações culturais e sociais de uma galera!

Aí falarão das gírias dos termos técnicos, como “Fechar o Repolho” (!), que significa “dar um rolê pra pichar”. E das técnicas que alguns lojistas, cansados de tanto pintar a fachada de suas lojinhas, passaram a fazer: grafitá-las. Eles falarão que, na maioria dos casos, os pichadores não atravessam um grafite e, assim, ele foi se consolidando como uma forma de arte bastante presente em ruas de cidades civilizadas (e também em São Paulo).

Só pra terminar a aula em um tom mais político, darão a opinião deles sobre o Kassabinho ter mandado apagar aquele baita grafitão que tinha no túnel da Paulista e, pra mostrar que estão antenados no assunto, perguntarão se alguém da sala já foi na exposição da Nina.

Aí a gente vai com os sprays para algum lugar da faculdade e TSSSSS!!! Pintamos tudo, expondo nossa criatividade e inspiração.

Aí eu acordo e percebo que dormi a tarde inteira. Que minha aula começa daqui há pouco. E que eu não vou ter aula sobre grafite.

Que eu vou levar o spray lá pra Anhembi Morumbanza só pra pintar latinhas de leite ninho, mesmo.

E que, pelo menos nos próximos 10 anos, dificilmente vão falar sem preconceito da pichação e do grafite.

Bláh!

ATUALIZAÇÃO – cheguei com o dedo sujo de tinta em casa, pelo menos. E ainda levei só uma bronca por ter feito um círculo na calçada de pedrinha da faculdade (já foi o tempo que eles prendiam, enquadravam e ainda te colocavam na mesma cela que um negão de dois metros de altura e com três pernas até a manhã seguinte…)